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Diálogos de Viejos y Nuevos Sones - Biografias

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FAHMI ALQHAI | viola da gamba

Fahmi Alqhai é hoje considerado um dos mais importantes intérpretes de viola da gamba do mundo, bem como um dos principais responsáveis pela renovação na forma de interpretar a música antiga, graças à sua abordagem ousada, pessoal e comunicativa aos repertórios históricos.

Nascido em Sevilha em 1976, filho de pai sírio e mãe palestiniana, formou-se em Sevilha e na Suíça (Schola Cantorum Basiliensis e Conservatorio della Svizzera Italiana de Lugano) com os professores Ventura Rico, Paolo Pandolfo e Vittorio Ghielmi. Trabalhou com ensembles e maestros do mais alto nível (Jordi Savall, Ton Koopman, Pedro Memelsdorff, Uri Caine...), ao mesmo tempo que obtinha uma licenciatura em Medicina Dentária pela Universidade de Sevilha.

Depois de focalizada a sua carreira, centrada na sua vertente de solista e no seu ensemble Accademia del Piacere, Fahmi Alqhai tem vindo a dirigir inovadoras gravações para as editoras Glossa, Deutsche Harmonia Mundi e para a sua própria editora (Rediscovering Spain, Cantar de Amor...), as quais receberam um importante reconhecimento a nível mundial, incluindo exterior ao campo da música histórica, incluindo o Giraldillo para Melhor Música na Bienal de Flamenco de Sevilha de 2012 (Las idas y las vueltas – o seu quarto CD que gravou com o cantor Arcángel); o Giraldillo 2016 para Inovação para Diálogos (com Rocío Márquez); e o Prémio Opus Klassik para Melhor Recital de Ópera (Alemanha) para Muera Cupido (Nuria Rial).

Em 2014, Alqhai apresentou o seu primeiro CD a solo, A piacere, cuja conceção inovadora da viola da gamba foi acolhida com entusiasmo em toda a Europa. Para a revista britânica Gramophone, trata-se de um disco “extraordinário” que “leva a viola da gamba a um novo patamar de jubiloso potencial” e “um tributo feliz a tudo o que a viola poderia ter sido, e ainda pode ser”. É com as suas músicas que realiza uma digressão pelo Japão e pelos EUA, depois de ter conduzido o seu ensemble Accademia del Piacere nas salas de concerto mais importantes do mundo, como as Konzerthaus de Viena e Berlim, a nova Elbphilharmonie em Hamburgo, a Philharmonie em Colónia (Alemanha), a Fundação Gulbenkian em Lisboa (Portugal), o Auditorio Nacional em Madrid (Espanha) e em muitos outros locais na Holanda, no México, na Colômbia, Suíça, França, Itália, entre outros. Em 2016, apresentou o seu trabalho mais pessoal como solista, The Bach Album, para a editora Glossa, elevado a Disco Excecional pela Scherzo.

Desde 2009, é diretor artístico do FeMÀS, o Festival de Música Antiga de Sevilha. Em 2018, recebeu a Medalha da Cidade de Sevilha. Em 2020, recebeu a Bolsa Leonardo da Fundação BBVA para realizar o Projeto Colombina, destinado à recuperação patrimonial do manuscrito homónimo do século XV.

 

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ROCÍO MÁRQUEZ | cantaora

Aclamada pela imprensa como “a voz da nova geração do canto jondo”, Rocío Márquez (Huelva, 1985) passou mais de uma década, desde que venceu a Lámpara Minera em 2008, a traçar uma sólida carreira artística que hoje ultrapassa o flamenco, no qual é já é figura consolidada e referência indiscutível.

A sua personalidade inquieta e a sua enorme curiosidade evidenciam-se na sua discografia, que nos mostra transversalmente tanto o seu grande amor pela tradição do flamenco, como uma necessidade imperiosa de alargar os limites dessa mesma tradição, explorando e experimentando com melodias, instrumentação, arranjos e letras. Deste modo, desde o fresco e direto Aquí y ahora (2009), os seus discos traçam a crónica de uma descolagem. Efetivamente, Claridad (2012), El Niño (2014), Firmamento (2017) e Visto en El Jueves (2019) – e também o resultado da sua colaboração com Fahmi Alqhai Diálogos de viejos y nuevos sones (2018) – mostram-nos uma artista numa busca contínua de si mesma através da música.

Nesta viagem de descoberta, carregada de riscos, a artista ganhou o carinho dos críticos, que lhe atribuíram o Giraldillo a la Innovación da Bienal de Sevilha (Espanha) e o prémio Coups de Coeur da Academia de Charles Cros (França). Encontrou também o apoio do público, tendo congregado, por exemplo, mais de 2000 pessoas num concerto realizado no ano passado em Madrid. Porém, talvez o aspeto mais significativo desta aventura seja que, ao longo deste percurso, Rocío encontrou a sua própria identidade artística. Por este motivo, se quisermos compreender a sua complexa dimensão artística, devemos prestar atenção à natureza multifacetada da sua carreira e observá-la a partir de diferentes perspetivas – seja a conquista dos grandes templos da música (Teatro Real, Auditorio Nacional, Palau de la Música, L'Olympia ou a Filarmónica de Paris), seja defendendo o seu flamenco heterodoxo nos European Film Awards, no Primavera Sound ou na Monkey Week, seja desenvolvendo as suas propostas mais performativas no Matadero e no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB).

Esta mesma inquietação criativa levou a artista a partilhar o palco com Jorge Drexler, com quem estreou Aquellos Puentes Sutiles em 2018, Rosa Torres Pardo, Arcángel, Carmen Linares ou José Manuel Zapata, e a realizar gravações com Sapata The New Raemon, Christina Rosenvinge, Kiko Veneno, Albert Plá, Dani de Morón, Diego Carrasco ou Refree.

Além da sua faceta artística, Rocío Márquez doutorou-se cum laude pela Universidade de Sevilha com a sua tese sobre ‘Técnica Vocal no Flamenco’, leciona Investigação e Análise do Flamenco no Mestrado Interuniversitário e apresenta conferências sobre a voz no flamenco.

 

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DANI DE MORÓN| guitarra flamenca

Daniel López Vicente nasceu em 1981, em Sevilha. Mais conhecido no mundo da história da guitarra flamenca pelo nome artístico Dani de Morón, iniciou os seus estudos no Conservatório Municipal de Música da sua cidade natal aos doze anos de idade.

Iniciou a sua aprendizagem com artistas como Manolo Morilla (um dos mais importantes mestres locais, juntamente com Diego del Gastor) o qual, devido à sua idade avançada, acabaria por delegar a sua aprendizagem ao seu aluno Alfonso Clavijo, muito embora Manolo Morilla nunca tenha parado de seguir a sua evolução.

Começou por acompanhar os primeiros cantaores em alguns clubes de flamenco e decidiu especializar-se no toque para el baile, razão pela qual passou a frequentar a Academia de Matilde Coral, onde aprendeu com mestres como o bailaor Manuel Corrales, El Mimbre e o cantaor Curro Fernández.

A sua atividade levou-o a participar nos mais importantes concursos de guitarra flamenca em Espanha e a ganhar prémios importantes como os de Hospitalet, Calasparra em Murcia ou o da Federación de Peñas Flamencas de Sevilla, bem como a ser finalista em prestigiosos concursos como o de Las Minas de La Unión e o da Bienal de Flamenco de Sevilha.

Toda esta experiência acabou por abrir-lhe as portas ao circuito das grandes companhias de flamenco de Antonio Canales e Javier Latorre, bem como a receber encomendas para compor a música do espetáculo Inmigración da Companhia de Ángeles Gabaldón.

Depois disto, decide concentrar-se no acompanhamento ao canto, tendo iniciado uma nova etapa na qual começou a acompanhar regularmente vozes como as de El Potito, La Susi, Guadiana, Montse Cortés, José Mercé e Arcángel, chegando a receber o Prémio Flamenco Hoy pelo melhor acompanhamento ao canto do álbum Ropavieja.

Mas terá sido o convite de Paco de Lucía para desempenhar o papel de segunda guitarra na digressão do álbum Cositas Buenas que o catapultou para a vanguarda da guitarra flamenca.

Com toda esta experiência acumulada, decide produzir o seu primeiro álbum a solo sob o título Cambio de Sentido, o qual recebe elogios unânimes da crítica, do público e dos próprios guitarristas.

Tudo isto num grande momento da sua carreira, em que acaba de receber o Giraldillo del toque na XVII Bienal de Flamenco de Sevilha e o Prémio Nacional da Crítica para o melhor álbum de guitarra flamenca a solo.

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ACCADEMIA DEL PIACERE

A coragem dos seus projetos inovadores e a forte personalidade artística do seu diretor têm vindo a consolidar o ensemble Accademia del Piacere como grupo de vanguarda na música antiga espanhola e um dos mais importantes grupos da Europa, graças à sua conceção da música histórica como algo vivo, pleno de emoções, que os seus músicos interiorizam como suas e transmitem ao espetador.

Nas suas gravações, para editoras como a Alqhai & Alqhai, Glossa e DHM, o Accademia del Piacere tem vindo a revelar novos matizes em repertórios fundamentais de música histórica como a do Seicento Italiano, a música renascentista espanhola (Rediscovering Spain) ou a música cénica do barroco hispânico (Muera Cupido, com Nuria Rial). Estas receberam vários prémios como o Choc da Classica (França), o Prelude Award (Holanda) e o prémio GEMA para o Melhor Grupo Barroco Espanhol de 2016 e 2017, entre muitos outros. O Accademia e o seu diretor, Alqhai, também surpreendem nas suas incursões em territórios artísticos alheios ao historicismo, como em Las idas y las vueltas e Diálogos, respetivamente, gravados com os cantores de flamenco Arcángel e Rocío Márquez, discos pelos quais receberam Giraldillos da Bienal de Flamenco de Sevilha em 2012 e 2016.

O Accademia del Piacere tem vindo a atuar nos mais prestigiados palcos da música clássica europeia e mundial, como a nova Elbphilharmonie e o Laeiszhalle em Hamburgo, os Konzerthaus de Berlim e Viena, a Philharmonie em Colónia, a Fundação Gulbenkian em Lisboa, o Auditorio Nacional de Madrid e muitos outros nos EUA, Alemanha, França, Japão, Bélgica, Holanda, México, Colômbia, Suíça, Espanha, entre outros. Os seus concertos são regularmente transmitidos em direto pela União Europeia de Radiodifusão e emissoras associadas, bem como em múltiplas emissões televisivas, desde a TVE espanhola até à NHK do Japão.