História do Convento dos Capuchos

Parques De Sintra Convento Dos Capuchos

Também conhecido como Convento da Cortiça, a construção desta casa conventual foi promovida, em 1560, por D. Álvaro de Castro, conselheiro de estado do rei D. Sebastião, em resultado de um voto que fez a seu pai, D. João de Castro, que sonhou construir naquele local um templo despojado, dedicado às práticas da contemplação e da introspeção. Este convento, em que a cortiça foi abundantemente utilizada nos revestimentos e na decoração, recebeu o nome de Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra. A construção materializa a filosofia e os ideais da Ordem de S. Francisco de Assis: a procura do aperfeiçoamento espiritual através do afastamento do mundo e da renúncia aos prazeres associados à vida terrena.

 

Mais tarde, por ordem do Cardeal Rei D. Henrique, o convento recebeu algumas beneficiações.

 

Em 1581, após a derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir, Filipe I de Portugal (II de Espanha) visitou o convento, proferindo uma afirmação que ficou célebre: “Em todo o meu reino, duas coisas tenho que muito me apraz: o Escorial, por ser tão rico, e o Convento de Santa Cruz, por ser tão pobre”.

 

Durante cerca de 250 anos, o convento permaneceu um local de culto e de peregrinação, habitado por frades franciscanos que a população local considerava “homens santos”, que partilhavam a filosofia expressa naquele local. Um dos frades notáveis da história desta casa foi Frei Honório que, de acordo com a lenda, passou as últimas décadas da sua vida isolado, a pão e água, numa pequena gruta na mata do convento, após ter caído em tentação. No entanto, em 1834, após a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, o convento é deixado ao abandono, sendo posteriormente comprado pelo 2º conde de Penamacor, que, em 1873, vendeu a propriedade ao 1º Visconde de Monserrate, Francis Cook.

 

O monumento é adquirido pelo Estado português apenas em 1949, altura em que a degradação do convento é cada vez mais visível e difícil de travar. Por esta altura, são realizadas algumas obras no local.

 

Integrando a Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade em 1995, o Convento dos Capuchos e a sua envolvente estão sob a gestão da Parques de Sintra desde 2000.

 

Em 2013, a empresa iniciou um complexo processo de conservação, restauro e requalificação deste monumento. Envolvendo uma equipa multidisciplinar, o projeto incide na recuperação do conjunto edificado, de todos os elementos construídos e decorativos e aposta na experiência da visita, potenciada por novas valências.

 

Nas imediações do Convento dos Capuchos, na Tapada de D. Fernando II, a Parques de Sintra criou a Reserva de Burros, em parceria com a Reserva de Burros – Associação para a Valorização e Preservação do Burro. Esta reserva visa contribuir para a manutenção e valorização do burro, ao mesmo tempo que desenvolve um programa de atividades que permitem colocar em contacto, sensibilizar e dar a conhecer estes animais aos vários segmentos de público que visitam Sintra, bem como explorar o património natural no qual se encontram inseridos.