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Parques de Sintra divulga estudo inédito que revela alcance internacional das coleções de arte do rei D. Fernando II

06 fev. 2022

Apaixonado pelas artes e ávido colecionador, D. Fernando II, o Rei-Artista, marcou definitivamente o panorama cultural português do século XIX. Agora, um estudo inédito, divulgado pela Parques de Sintra, vem revelar que o seu legado enquanto colecionador de arte extravasou fronteiras e ganhou dimensão internacional, estando, hoje, presente em alguns dos mais importantes museus do mundo, como o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, ou o Victoria and Albert Museum, de Londres. A investigação foi realizada por Hugo Xavier, historiador da arte, museólogo e conservador do Palácio Nacional da Pena, que, entre 2016 e 2021, analisou ao pormenor um inventário de 1866, no qual o próprio rei descreve um total de 224 peças de ourivesaria, marfim e esmalte da sua coleção, que atualmente se encontram dispersas. As conclusões do estudo são apresentadas no e-book de acesso livre “Propriedade Minha”: ourivesaria, marfins e esmaltes da coleção de D. Fernando II, a mais recente publicação do projeto editorial da Parques de Sintra “Coleções em Foco”, que, nesta edição, contou com o apoio da Fundação Casa de Bragança.

 

Foi precisamente a Fundação Casa de Bragança a primeira instituição a divulgar a existência do inventário manuscrito por D. Fernando II, quando, em 1952, publicou a obra do investigador Ernesto Soares, dedicada à atividade artística do rei ("El-Rei D. Fernando II Artista"), que continha a transcrição de uma página dispersa do documento. No entanto, o paradeiro do inventário completo permaneceu desconhecido até 2015, altura em que foi identificado pelo conservador Hugo Xavier entre a documentação doada ao Palácio Nacional da Pena por uma descendente da Condessa d’Edla. Neste documento de 1866, composto por 21 folhas em papel de carta, o monarca descreve e classifica 224 peças dos núcleos de ourivesaria, marfins e esmaltes da sua coleção, fazendo, por vezes, apreciações técnicas e estéticas acerca das mesmas e acrescentando curiosas anotações sobre o uso que dava a alguns objetos, bem reveladoras dos seus hábitos. Refere, por exemplo, uma pequena salva quadrada de prata que pertenceu ao escritor Almeida Garrett: “serve-me ha muitos annos para recolher a cinza dos charutos”. Assinala também as proveniências, tanto dos objetos que comprou, como dos que lhe foram oferecidos, e, de forma a clarificar que estas peças eram suas e não da coroa, escreve no final de cada comentário “Propriedade Minha”.

 

Dada a inegável relevância deste documento, Hugo Xavier dedicou-se ao seu estudo exaustivo durante os últimos cinco anos e concluiu que D. Fernando II foi, efetivamente, um colecionador de arte de referência internacional, que reuniu um extenso e variado conjunto de obras de grande qualidade. Na publicação “Propriedade Minha”: ourivesaria, marfins e esmaltes da coleção de D. Fernando II, agora lançada, o investigador explora temas como a caracterização da coleção, a forma como se encontrava exposta, os agentes de mercado a quem o rei recorria ou a dispersão ocorrida após a sua morte, disponibilizando ainda a transcrição integral do inventário elaborado pelo rei. Para tal, foram desenvolvidas pesquisas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na Biblioteca da Ajuda, na Biblioteca Nacional de Portugal e no Arquivo do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, onde se conservam os “Livros de Caixa” e demais registos de despesas de D. Fernando II.

 

A investigação permitiu também identificar várias peças mencionadas no inventário, há muito dispersas por diferentes coleções públicas e privadas, nacionais e estrangeiras ou em parte incerta. Em Portugal, o núcleo mais significativo conserva-se no Palácio Nacional da Ajuda, com ramificações nos acervos do Palácio Nacional da Pena, Museu Nacional de Arte Antiga, Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, Museu Calouste Gulbenkian, Museu Nacional de Soares dos Reis, entre outros. A nível internacional, há vários museus de renome que têm no seu acervo peças que pertenceram a D. Fernando II, com destaque para o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque; o J. Paul Getty Museum, de Los Angeles; o Victoria and Albert Museum, de Londres; e o Louvre de Abu Dhabi.

 

Esta obra, que vem ampliar substancialmente o conhecimento sobre a faceta de colecionador do rei D. Fernando II, é o quarto número da série de monografias digitais “Coleções em Foco”. Trata-se de uma iniciativa editorial da Parques de Sintra, inédita a nível nacional, cujo objetivo é viabilizar o acesso fácil e gratuito aos resultados mais recentes do trabalho de investigação desenvolvido nos Palácios Nacionais de Sintra, de Queluz e da Pena, com vista a promover a partilha e a disseminação do conhecimento. As monografias que integram esta coleção são disponibilizadas online, gratuitamente, de acordo com o movimento Open Access. Este número já está disponível no site da Parques de Sintra para download, em português.

 

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