Parques de Sintra reforça monitorização ambiental em eventos culturais nos espaços sob a sua gestão
22 mai. 2026
A Parques de Sintra está a reforçar os procedimentos de avaliação, acompanhamento e monitorização ambiental associados à realização de eventos culturais nos espaços patrimoniais e naturais sob sua gestão, integrando equipas técnicas especializadas antes, durante e após as iniciativas.
Esta abordagem será aplicada ao evento cultural previsto para o dia 30 de maio, no Castelo dos Mouros, e passa a constituir uma metodologia de trabalho orientada para a compatibilização entre fruição pública, programação cultural, conservação da natureza e salvaguarda dos valores patrimoniais.
O procedimento inclui uma avaliação prévia das características do local, a identificação dos valores naturais presentes, a análise dos fatores potenciais de perturbação e a definição de medidas específicas de prevenção, minimização e monitorização. No caso do Castelo dos Mouros, a análise técnica incidiu em particular sobre a fauna com hábitos crepusculares e noturnos, designadamente quirópteros e aves noturnas.
O evento será realizado exclusivamente na Praça de Armas, uma zona interior do Castelo dos Mouros, com cerca de 500 m², delimitada pelos panos de muralha e integrada numa estrutura patrimonial fortemente artificializada, que recebe diariamente visitantes ao longo de todo o ano.
O Castelo dos Mouros tem cerca de 37.000 m² de área de implantação, com muralhas, caminhos, escadarias, zonas pavimentadas, estruturas construídas e áreas de circulação formalizadas. A Praça de Armas representa, assim, menos de 5% da área total do monumento e corresponde a um espaço já consolidado e regularmente utilizado no circuito de visitação.
A seleção deste local teve em conta as características de ser uma área pavimentada, fisicamente delimitada, com possibilidade de controlo de acessos, circulação e permanência do público, reduzindo a dispersão para zonas naturalizadas ou ecologicamente mais sensíveis. A própria configuração das muralhas contribui para conter a ocupação humana e os meios técnicos num perímetro restrito, ainda que a Parques de Sintra reconheça que qualquer evento em período noturno exige medidas acrescidas de precaução e acompanhamento.
Para este evento, foi contratada uma equipa técnica externa especializada, que trabalhará em articulação com a Direção Técnica de Património Natural da Parques de Sintra. A monitorização incidirá sobre os grupos faunísticos potencialmente mais sensíveis e será realizada antes, durante e após o evento. O trabalho permitirá avaliar a atividade registada, identificar padrões de utilização do habitat e verificar eventuais alterações comportamentais ou perturbações temporárias, culminando na elaboração de um relatório técnico comparativo.
Segundo Maria Inês Moreira, bióloga da Direção Técnica de Património Natural da Parques de Sintra, “a monitorização ambiental permite transformar cada iniciativa num momento de conhecimento técnico acrescido. Mais do que avaliar apenas um evento em concreto, este acompanhamento permite recolher informação, comparar dados e melhorar continuamente os procedimentos de gestão em espaços onde a conservação da natureza e a fruição pública têm de coexistir com rigor”.
Para além da monitorização da fauna, serão implementadas medidas de proteção física de zonas sensíveis, canteiros e núcleos botânicos relevantes, incluindo a proteção específica de núcleos de feto-folha-de-hera. A iluminação técnica será limitada ao estritamente necessário e orientada para evitar dispersão para zonas arborizadas ou ecologicamente sensíveis. A componente sonora será circunscrita ao período autorizado e sujeita a controlo técnico, procurando orientar a emissão para o interior da Praça de Armas.
O plano operacional prevê ainda reforço de segurança, controlo de acessos, interdição de zonas sensíveis, acompanhamento das fases de montagem e desmontagem e utilização de transporte coletivo para os participantes, reduzindo a pressão automóvel sobre a envolvente do Castelo dos Mouros e sobre o território do Parque Natural de Sintra-Cascais.
Com esta metodologia, a Parques de Sintra pretende aprofundar uma prática de gestão baseada em conhecimento técnico, prevenção e acompanhamento contínuo. A realização de eventos culturais em espaços patrimoniais exige planeamento, critérios de localização, medidas de minimização e capacidade de avaliação posterior. É neste quadro que a empresa passa a integrar de forma mais sistemática a monitorização ambiental como instrumento de apoio à decisão e de melhoria permanente dos seus procedimentos.
A Parques de Sintra reafirma, assim, o seu compromisso com uma gestão integrada da Paisagem Cultural de Sintra, compatibilizando a valorização cultural dos monumentos com a proteção dos valores naturais que contribuem para a singularidade deste território.