Lontra regressa à Serra de Sintra após várias décadas de ausência

24 jul. 2026

Uma lontra (Lutra lutra) foi recentemente detetada no Parque da Pena, no âmbito do projeto de fotoarmadilhagem que a Parques de Sintra está a implementar para monitorizar a fauna presente nos parques e monumentos sob sua gestão. Trata-se do primeiro registo confirmado desta espécie no interior da Serra de Sintra em várias décadas, uma observação de particular relevância para o conhecimento da biodiversidade deste território.

 

Associada a ecossistemas aquáticos bem conservados, a lontra habita rios, ribeiras, lagos, pauis e pequenas albufeiras, necessitando de abundante coberto vegetal para abrigo e de recursos alimentares, como peixes, anfíbios e invertebrados aquáticos.

 

A monitorização levada a cabo no Parque da Pena e na Tapada do Mouco revelou, igualmente, uma utilização frequente de determinados locais por mamíferos de hábitos noturnos, como texugos, genetas e raposas.

 

Segundo João Sousa Rego, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, “nesta fase, ainda não é possível determinar se as imagens captadas desta lontra correspondem a um indivíduo de passagem ou a um animal residente. Independentemente dessa circunstância, a sua presença constitui um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes no Parque da Pena e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais, evidenciando os resultados do trabalho de conservação que a Parques de Sintra tem vindo a desenvolver.

 

O responsável enfatiza: “a resiliência climática e a biodiversidade sustentável são prioridades estratégicas para a Parques de Sintra, pelo que, este ano, vamos dedicar a esta área um investimento de cinco milhões de euros, o dobro do ano passado. Esta verba contempla, necessariamente, a vertente científica, que é fundamental para aprofundar o conhecimento dos ecossistemas, avaliar a eficácia das medidas em curso e apoiar decisões de gestão.”

 

A lontra é um mamífero da família dos mustelídeos, à qual pertencem também espécies como a doninha, o texugo e a fuinha. Esta espécie solitária, ocupa territórios de grande dimensão, podendo os machos utilizar áreas entre cinco e dez quilómetros de extensão. Distribui-se pela Europa Ocidental, Ásia e Norte de África e, em Portugal, ocorre de forma praticamente contínua de norte a sul do território continental, embora a sua presença no interior da Serra de Sintra não fosse confirmada há muitos anos.

 

O registo foi obtido através do projeto de fotoarmadilhagem desenvolvido pela Parques de Sintra, uma ferramenta de monitorização não intrusiva que permite acompanhar a fauna selvagem, recolher informação científica e apoiar a gestão e conservação do património natural.

 

A deteção desta espécie vem reforçar o contributo da Parques de Sintra para a conservação da biodiversidade, através de uma gestão assente no conhecimento científico, na monitorização contínua e na implementação de soluções que promovem o equilíbrio ecológico e a preservação dos valores naturais da Paisagem Cultural de Sintra. Este trabalho concretiza os objetivos estratégicos da empresa para 2025-2027, nomeadamente no reforço da resiliência climática e da biodiversidade, na compreensão e recuperação do património natural e na salvaguarda da Paisagem Cultural de Sintra, classificada como Património Mundial pela UNESCO.

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