Parques de Sintra promove primeira produção artesanal de chá com plantas históricas do Parque da Pena
13 mai. 2026
A Parques de Sintra vai promover, pela primeira vez, uma experiência de colheita e produção artesanal de chá a partir das plantas históricas de Camellia sinensis existentes no Alto do Chá, no Parque da Pena. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Chá Camélia, decorre nos dias 3 e 4 de junho e pretende dar a conhecer a história, a paisagem e o valor botânico de um lugar singular no contexto do património natural de Sintra.
O Alto do Chá conserva ainda 28 exemplares sobreviventes da plantação original do século XIX, num conjunto que terá contado com mais de 100 plantas de chá. A sua presença no Parque da Pena está associada à transformação paisagística iniciada por D. Fernando II a partir de 1839, que fez deste território um laboratório vivo de aclimatação de espécies exóticas, ornamentais e florestais.
De acordo com referências históricas, Sintra terá sido escolhida, no final do século XIX, para uma sementeira experimental de Camellia sinensis, com o objetivo de testar a viabilidade da produção de chá em Portugal continental. O jornal Diário de Notícias, de 28 de janeiro de 1883, refere essa experiência, que contribuiu para conferir ao Parque da Pena uma atmosfera de inspiração oriental, onde as plantas crescem entre escarpas graníticas, caminhos sinuosos e zonas de elevada humidade.
A iniciativa agora promovida pela Parques de Sintra recupera essa memória e transforma-a numa experiência participativa, cruzando história, botânica, paisagem e produção artesanal.
“O Alto do Chá é um dos lugares mais singulares do Parque da Pena. Ao recuperarmos a memória desta plantação histórica e ao produzirmos, pela primeira vez, chá a partir destas plantas, estamos a ligar património, natureza e experiência cultural de uma forma muito concreta. É uma forma de dar nova vida a uma história que estava inscrita na paisagem, mas que muitos visitantes ainda desconheciam”, destaca, João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra.
No dia 3 de junho, a experiência será dirigida a entidades convidadas, imprensa e equipa interna da Parques de Sintra. O programa inclui a colheita de folhas no Alto do Chá, seguida de uma demonstração de produção artesanal na Abegoaria e de uma degustação de chás.
No dia 4 de junho, a atividade será aberta ao público, num formato limitado a cerca de duas dezenas participantes. Ao longo do dia, os participantes terão oportunidade de colher folhas de chá no Alto do Chá, acompanhar as diferentes fases do processo artesanal, participar na rolagem das folhas e degustar o primeiro chá verde produzido a partir das plantas históricas da Pena.
A experiência inclui ainda um almoço ligeiro no exterior da Abegoaria, acompanhado por chá frio e kombucha da Chá Camélia. O processo de secagem final das folhas decorrerá em desidratador, prolongando-se até à manhã seguinte. Os bilhetes vendem-se exclusivamente no site da Parques de Sintra.
O Alto do Chá ocupa uma área de cerca de 4,98 hectares no interior do Parque da Pena. O espaço desenvolve-se através de uma rede de caminhos que percorrem gradualmente as escarpas graníticas, culminando num miradouro situado a cerca de 450 metros de altitude, o terceiro ponto mais elevado do Parque da Pena, depois da Cruz Alta e do próprio Palácio.
A recuperação desta área permitie valorizar um conjunto botânico e paisagístico de grande relevância. Ao longo do tempo, fenómenos meteorológicos extremos, como o ciclone de 15 de fevereiro de 1941 e a tempestade de 19 de janeiro de 2013, alteraram profundamente a composição arbórea do Parque da Pena. No caso do Alto do Chá, a abertura de clareiras após a queda de árvores contribuiu para melhorar a exposição solar das plantas de chá, favorecendo o seu vigor vegetativo.
Os exemplares históricos de Camellia sinensis beneficiam de condições particularmente favoráveis nesta encosta sul do Parque da Pena: elevada humidade, abrigo dos ventos do norte e dos ventos marítimos, boa exposição solar, solos ácidos e férteis, além da proximidade a sistemas de água essenciais ao desenvolvimento desta espécie.
O programa dedicado às camélias-do-chá terá ainda continuidade a 24 de outubro, com uma experiência dedicada à colheita de flores. Esta atividade permitirá aos participantes acompanhar a recolha e desidratação das flores de Camellia sinensis, bem como degustar chá de flores desidratadas da Pena e o chá produzido em maio.
Com esta iniciativa, a Parques de Sintra dá nova vida a uma história quase esquecida na paisagem do Parque da Pena: a existência, em Sintra, de uma plantação histórica de chá, testemunho da visão científica, romântica e cosmopolita que moldou este lugar no século XIX.