Parques de Sintra promoveu conferência focada nas intervenções florestais previstas para o Parque Natural de Sintra-Cascais

24 mar. 2026

No passado sábado, Dia Mundial da Árvore, a Parques de Sintra promoveu uma conferência, no Palácio Nacional de Sintra, com o objetivo de apresentar às partes interessadas o plano das intervenções florestais previstas para o Parque Natural de Sintra-Cascais durante 2026, nas áreas que se encontram sob a sua gestão.

 

A conferência, que decorreu na Sala dos Cisnes e foi transmitida em live streaming na página de Facebook da Parques de Sintra, foi aberta por João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da empresa, que lembrou que, nos últimos dois anos, a Serra de Sintra foi severamente atingida por fenómenos meteorológicos extremos, que derrubaram mais de 250 mil árvores, “provocando danos profundos na estrutura ecológica da Serra, no equilíbrio da paisagem e nas condições de segurança e conservação deste território singular”.

 

Face à dimensão dos prejuízos, o responsável defende que não basta “substituir o que caiu”, exige-se uma resposta “assente em conhecimento técnico e científico, baseada na experiência acumulada no território e coerente com o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Parques de Sintra, que coloca no centro da nossa ação a salvaguarda do património, a sustentabilidade, a inovação, a proximidade às comunidades e a capacidade de executar com responsabilidade e transparência”.

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Neste âmbito, assume particular relevância a renovação do Certificado Internacional de Gestão Florestal – Forest Stewardship Council® (FSC®)- FSC-C128797, nos cerca de mil hectares de floresta sob gestão da Parques de Sintra (abrangendo o perímetro florestal e as tapadas históricas), que atesta que estas áreas são objeto de uma gestão florestal responsável. João Sousa Rego realça que se trata de um “compromisso com critérios exigentes de sustentabilidade, monitorização, transparência e boas práticas”, que é também “o reconhecimento de que a Parques de Sintra procura afirmar-se, nesta matéria, como uma referência nacional e internacional.”

 

Para além da evidente dimensão ecológica, a Serra de Sintra tem um importante papel social e económico, suportando uma paisagem cultural classificada e uma economia ligada ao turismo, à educação, à fruição e à ligação das pessoas à natureza. “Cuidar da floresta é uma responsabilidade pública, uma escolha estratégica e uma forma de investir no futuro”, advogou o responsável, acrescentando que as decisões sobre um património natural que é de todos devem ser discutidas com clareza, exigência e espírito de cooperação. “A floresta de Sintra é um bem comum. E um bem comum exige consenso, participação e compromisso partilhado,” concluiu.

 

De seguida, Carolina Carvalho, diretora técnica para o Património Natural da Parques de Sintra; Diogo Sousa Pinto, coordenador para a área das florestas; e Rui Figueiredo, coordenador para a área da conservação e proteção da natureza; apresentaram as intervenções florestais planeadas para este ano e fizeram o balanço das que foram implementadas em 2025.

 

No âmbito da gestão sustentável das florestas, a empresa promoveu ações de controle de espécies invasoras, arborização com espécies nativas — ao longo deste ano, foram plantados cerca de 1800 exemplares na área do Parque Natural de Sintra-Cascais —, e controle regular do combustível florestal.

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Para salvaguardar os Altos Valores de Conservação presentes nestas áreas, a Parques de Sintra tem investido no aumento de conhecimento através da inventariação e da monitorização de espécies de fauna, flora e habitats existentes nestas florestas. Adicionalmente, tem levado a cabo projetos de conservação da natureza, nomeadamente, criação de charcas temporárias, proteção de abrigos de morcegos, colocação de abrigos para a fauna e requalificação das linhas de água das Tapada históricas.

 

Este trabalho promove a biodiversidade dos ecossistemas e o robustecimento dos habitats, preparando-os para resistir à propagação de um eventual incêndio e tornando-os mais resilientes face aos efeitos das alterações climáticas.

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Esta conferência, que contou com a presença de Gonçalo Costa, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, e de Anabela Macedo, vereadora da Câmara Municipal de Sintra, foi, igualmente, um espaço de diálogo, no qual as partes interessadas e os parceiros locais puderam esclarecer dúvidas e debater soluções, num espírito de total transparência.

 

Ao fim do dia, a iniciativa Uma Noite pelo Futuro da Serra de Sintra envolveu a comunidade no esforço de reflorestação da Serra. A adesão massiva do público traduziu-se na doação de mais de duas mil árvores autóctones, que vão ser replantadas pela Parques de Sintra. Nesta noite de sensibilização ambiental, património e música, os bilhetes de entrada no Palácio Nacional de Sintra foram as árvores que vão ajudar a fazer renascer a Serra e a torná-la mais resiliente às alterações climáticas.