Sintra debateu estratégia de proteção contra incêndios florestais
17 jun. 2026
Decorreu esta terça-feira, 16 de junho, no Palácio Valenças, uma Assembleia Municipal Extraordinária com o objetivo de discutir a estratégia de proteção do concelho contra incêndios florestais. O debate contou com a presença de Luís Neves, Ministro da Administração Interna, e das diversas autoridades e instituições com responsabilidade na gestão do território, nas quais se inclui a Parques de Sintra.
Marco Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Sintra, agradeceu a disponibilidade do Ministro da Administração Interna para estar neste debate, sublinhando “a sua proximidade das comunidades e das populações” e garantiu que o município está empenhado em reforçar o investimento nas forças de segurança. “A segurança é um pilar da democracia e sem segurança, não há liberdade”, enfatizou.
Seguiu-se a intervenção de João Sousa Rego, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, que apresentou o plano de ação para gerir o risco de incêndio no perímetro florestal da Serra de Sintra. O responsável salientou que a empresa, que gere cerca de mil hectares de floresta, tem “uma visão global, integrada e contínua do território e está a trabalhar, em articulação com os vários parceiros locais, com destaque para Câmara Municipal de Sintra, na transformação da paisagem para garantir uma maior resiliência do Parque Natural de Sintra-Cascais face aos eventos extremos e às alterações climáticas.”
“A nossa floresta tem fragilidades. Necessitamos de uma intervenção robusta e capaz de responder aos desafios do aumento do número de tempestades que atingiu a região no último ano. Para tal, em 2026, vamos concretizar um investimento de cinco milhões de euros, o dobro do ano passado”, frisou João Sousa Rego.
A estratégia passa por uma floresta autóctone, mediterrânica, resiliente e biodiversa, em que a comunidade local, a gestão eficaz dos recursos hídricos e a aposta na tecnologia centrada nos modelos climáticos, monitorização contínua e alerta precoce têm um papel chave na salvaguarda de todo o conjunto. “A reconfiguração da paisagem, com a promoção de mosaicos de vegetação, a substituição gradual de espécies invasoras por espécies autóctones e o restauro de galerias ripícolas, é um projeto a longo prazo. Os eventos extremos do último ano, que provocaram a queda de cerca de 250 mil árvores, representam um desafio e uma oportunidade para acelerar esta transformação”, defendeu o Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra.
Na reta final da sessão, interveio Luís Neves, Ministro da Administração Interna, que começou por “agradecer o trabalho notável que Sintra está a fazer, não só no seu território, mas também a nível coletivo”, no quadro das parcerias entre o Estado central e as autarquias.
Referindo-se aos riscos, vulnerabilidades e ameaças que o país enfrenta na atualidade em matéria de proteção civil, o governante identifica três vertentes principais, que têm na imprevisibilidade um denominador comum e que colocam em causa o bem-estar e a liberdade dos cidadãos: “alterações climáticas, ameaças relacionadas com tecnologia e questões sanitárias.”
Luís Neves advoga que só é possível fazer face a estes perigos com “trabalho multidisciplinar”, que tem de assentar na antecipação, na proatividade. “Quando tratamos da salvaguarda da vida das pessoas, do socorro, é o coletivo que tem de ser a chave do sucesso. (...) Em funções de soberania, não há lugar a egos, é o interesse público que deve prevalecer”, afirmou o Ministro da Administração Interna.
Por fim, Álvaro Terezo, coordenador da Proteção Civil de Sintra, fez um balanço do que tem sido a atuação deste organismo, com particular incidência na resposta às muitas ocorrências provocadas pelo comboio de tempestades que atingiu a região entre 29 de janeiro e 15 de fevereiro deste ano, nomeadamente quedas de árvores e de estruturas. O responsável destacou a importância do planeamento, percebendo “quais os são os riscos que existem no concelho e de que forma se pode atuar sobre eles”, o reforço da comunicação junto da população e a aposta numa “cultura de prevenção”.