Reintrodução de Caixilharia no Claustro do Palácio Nacional da Pena

Galeria Claustro

Durante a conversão do antigo mosteiro quinhentista em palácio, no século XIX, D. Fernando II mandou encerrar as galerias do claustro com caixilharia envidraçada, transformando-as em corredores de circulação entre os aposentos contíguos e integrando-as na área habitacional. Para além de proporcionarem maior conforto e privacidade, as galerias fechadas contribuíam para a unidade funcional e vivencial deste corpo do edifício, sendo também decoradas com mobiliário e objetos. O encerramento do claustro constituiu, assim, uma etapa determinante na transformação do antigo convento em residência palaciana.

 

As caixilharias foram removidas em 1938, no contexto de uma conceção patrimonial que privilegiava a valorização do carácter manuelino do antigo mosteiro. Esta alteração modificou a leitura do claustro enquanto espaço interior habitado no século XIX e aumentou a exposição das salas contíguas à humidade, às variações de temperatura e às correntes de ar. As novas condições ambientais colocaram desafios à conservação do edifício e do seu acervo, tendo contribuído, inclusivamente, para a transferência de parte do espólio do Palácio da Pena para outros espaços com condições mais adequadas de conservação.

 

A intervenção em curso prevê a reintrodução de caixilharias nas arcadas do claustro, recuperando a sua configuração enquanto espaço interior vivido pela família real portuguesa. A intervenção permitirá simultaneamente melhorar as condições de conservação do edifício e do património integrado, reforçar a compreensão da evolução histórica do Palácio e proporcionar uma leitura mais completa da sua função enquanto residência real do século XIX.

 

Mais do que reconstituir uma imagem do passado, o projeto procura valorizar as diferentes camadas históricas que constituem o monumento, devolvendo às galerias do claustro uma ambiência documentada e integrando-a na experiência museológica do Palácio Nacional da Pena.

Conservação e sustentabilidade

A reintrodução das caixilharias contribuirá para melhorar as condições ambientais dos espaços contíguos, reduzindo a exposição direta à chuva, à humidade, às correntes de ar e às variações térmicas. Esta medida assume particular relevância num monumento situado na Serra de Sintra, caracterizada por elevada pluviosidade e significativas variações das condições ambientais.

 

A intervenção contribui, deste modo, para uma maior estabilidade termo-higrométrica dos espaços e para a conservação a longo prazo do edifício, do património integrado e do acervo, articulando a salvaguarda do património com objetivos de resiliência climática e sustentabilidade.

Coerência patrimonial e museológica

A recuperação do claustro enquanto espaço interior permitirá aprofundar a compreensão do Palácio da Pena como residência real do século XIX, evidenciando a transformação do antigo mosteiro e a forma como os espaços foram adaptados à vida quotidiana da família real.

 

A intervenção permitirá igualmente recuperar a leitura das galerias como espaços habitados e decorados, favorecendo uma apresentação mais integrada do património móvel e integrado e enriquecendo a experiência dos visitantes. Desta forma, a intervenção articula conservação, investigação, interpretação e divulgação, reforçando a função museológica do Palácio e contribuindo para a transmissão do seu valor patrimonial às gerações futuras.

Metodologia de intervenção

A intervenção baseia-se na reintrodução de caixilharias metálicas, concebidas com materiais e técnicas contemporâneos e integradas com as restantes caixilharias metálicas existentes no Palácio. A solução procura respeitar a configuração histórica documentada sem criar uma reprodução mimética, permitindo distinguir claramente a intervenção contemporânea das estruturas preexistentes.


São adotados três princípios fundamentais:

  • Reversibilidade – as novas caixilharias serão instaladas de modo a poderem ser removidas sem causar danos na estrutura original;
  • Compatibilidade estética e material – as proporções, materiais e características formais da solução terão como referência a documentação histórica e as caixilharias existentes no Palácio;
  • Legibilidade temporal – a intervenção incorporará discretos elementos de contemporaneidade, permitindo reconhecer a diferença entre o património histórico e a intervenção atual.

Enquadramento estratégico

O projeto contribui diretamente para vários dos objetivos estratégicos da Parques de Sintra para o horizonte 2025–2027, em particular:

  • 2. Compreensão e recuperação do património: A intervenção resulta da investigação sobre a evolução histórica do edifício e procura recuperar uma dimensão documentada do Palácio, conciliando autenticidade, conservação, reversibilidade e fruição qualificada.
  • 1. Oferta cultural e turística diferenciadora: A recuperação da leitura do claustro enquanto espaço habitado permite enriquecer a experiência de visita e proporcionar uma compreensão mais completa e autêntica do Palácio Nacional da Pena e da vida quotidiana da família real no século XIX.
  • 4. Resiliência climática e biodiversidade: A melhoria das condições ambientais dos espaços contribui para a adaptação do património construído às condições climáticas da Serra de Sintra e para a sua conservação a longo prazo.
  • 5. Inovação, sustentabilidade e gestão da qualidade: A adoção de uma solução contemporânea, reversível e materialmente compatível demonstra a articulação entre inovação e boas práticas de conservação, promovendo uma intervenção sustentável e tecnicamente fundamentada.

 

Em conjunto, estes princípios permitem que a intervenção não seja entendida apenas como uma operação de reconstituição, mas como uma ação integrada de conservação, investigação e valorização patrimonial, reforçando a capacidade do Palácio Nacional da Pena de transmitir às gerações futuras a complexidade da sua história e das sucessivas transformações que o tornaram no monumento que hoje conhecemos.

Ficha técnica

Data de início:

31 agosto 2026

Duração:

2 meses

Áreas temáticas:

Conservação e restauro, património, museologia, investigação, sustentabilidade, alterações climáticas e inovação

No horizonte 2025/27, a missão da Parques de Sintra é orientada por 7 objetivos estratégicos

  • 1) Oferta cultural e turística diferenciadora. Potenciar uma oferta cultural e turística distintiva, que enriqueça a experiência dos visitantes e valorize, de forma autêntica, o património sob gestão, promovendo o acesso à cultura, o reforço da identidade local e o desenvolvimento sustentável de Sintra.
  • 2) Compreensão e recuperação do património. Compreender e recuperar o património natural e construído, combinando investigação, técnicas tradicionais e abordagens inovadoras que assegurem a autenticidade dos valores patrimoniais, a fruição qualificada e a transmissão às gerações futuras.
  • 3) Salvaguarda da Paisagem Cultural e Património UNESCO. Proteger e valorizar a Paisagem Cultural de Sintra e o património imaterial classificados pela UNESCO, garantindo a sua proteção, investigação e divulgação, e promovendo a integração harmoniosa com o tecido social e ambiental local.
  • 4) Resiliência climática e biodiversidade. Reforçar a resiliência às alterações climáticas, promovendo a biodiversidade através de soluções baseadas na ciência e na natureza, que preservem o património natural e construído e contribuam para o equilíbrio ecológico.
  • 5) Inovação, sustentabilidade e gestão da qualidade. Desenvolver e implementar projetos inovadores e colaborativos, promover a adoção de práticas ambientais sustentáveis e incorporar sistemas de gestão da qualidade e de compliance.
  • 6) Parcerias e envolvimento comunitário. Reforçar parcerias com o setor empresarial e associativo, envolvendo comunidades científicas, artísticas e intelectuais, para criar um ecossistema colaborativo que amplifique o impacto positivo no território e na valorização do património.
  • 7) Valorização dos trabalhadores e cultura organizacional. Valorizar as pessoas, fortalecendo uma cultura organizacional sólida e inspiradora, que reconhece o mérito, potencia o desenvolvimento e consolida o orgulho de pertença e o compromisso com a excelência.