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Sala dos Veados do Palácio Nacional da Pena recupera as cores originais

26-04-2022

 

Em virtude de recentes trabalhos de conservação e restauro, a Sala dos Veados, que foi concebida para ser a grande Sala de Jantar do Palácio da Pena, está agora mais próxima do seu aspeto original. No decorrer de uma aprofundada investigação histórica e material, as equipas da Parques de Sintra descobriram que, pelo menos até ao final de 1938, o espaço exibia outras cores: tons de pedra nos elementos decorativos em estuque e emolduramentos em azul ultramarino. Intervenções posteriores anularam esta riqueza cromática, não permitindo a correta leitura da sala; algo que a reposição dos tons originais recentemente levada a cabo vem possibilitar, salvaguardando a sua memória histórica e autenticidade.

 

No âmbito desta intervenção, os elementos em estuque que representam panóplias de armas de caça foram objeto de um minucioso e demorado processo de restauro, que incluiu a remoção manual das camadas de tinta que ocultavam as cores originais e a recuperação da riqueza destes pormenores decorativos, com recurso a misturas de pigmentos e cal para a obtenção das cores. Com vista a garantir uma intervenção sustentável, antes das caiações finais, foi igualmente feita a estabilização dos revestimentos por via do tratamento de fissuras, de reconstituições volumétricas, de limpeza e da realização de preenchimentos pontuais.

 

Próxima de espaços de receção e de entretenimento como o Salão Nobre e a Sala de Fumo, a Sala dos Veados integrava a ala mais pública do Palácio da Pena, à qual acediam os convidados da Família Real. Esta Sala de Jantar, cuja construção ficou concluída em 1860, estava, ainda, estrategicamente localizada nas imediações da cozinha e incluía um acesso para os convivas a partir do exterior, através do Pátio dos Arcos.

 

A divisão apresenta uma configuração circular, ocupando toda a definição do torreão, destacando-se a sua cobertura em cúpula descarregando sobre a imponente coluna central. Os sete vãos das aberturas, portas e janelas, exibem emolduramentos em pedra todos diferentes, que remetem para os trabalhos de cantaria do exterior do Palácio, de feição neomanuelina. Entre cada vão destacam-se os elementos em estuque representando as já referidas panóplias e as cabeças de veado, trabalhadas em estuque policromado, mas integrando hastes verdadeiras.

 

Para além da reposição das cores, também a mesa original foi recolocada na sala. Esta peça foi desenhada para ser montada em redor da coluna, reforçando e elevando a forma circular do compartimento, e fazia parte de um conjunto de mobiliário executado em 1861 pelo carpinteiro Gregório, que trabalhava nas obras de construção do próprio palácio, então ainda em curso.

 

Com o intuito de devolver à Sala dos Veados o seu esplendor original, a equipa de conservadores do Palácio prossegue agora o seu o trabalho de investigação e de desenvolvimento do projeto museológico que futuramente será implementado neste espaço e que refletirá a memória das suas vivências passadas, desde os tempos em que ali se serviam grandes banquetes, até à época em que o rei D. Fernando II utilizava o espaço para expor peças das suas coleções, abrindo-o, inclusivamente, à visita do público.

Sala Dos Veados PNP Creditos PSML Josemarquessilva