Cabras algarvias ajudam a preservar o Parque da Pena através da gestão sustentável da vegetação
21 mai. 2026
A partir desta semana, a Serra de Sintra passou a contar com uma equipa pouco convencional, mas altamente eficaz, no apoio à preservação da paisagem e da biodiversidade. Duas cabras e um bode algarvios, foram colocados junto ao parque da Pena para darem o seu contributo para o controlo natural da vegetação e para a redução da carga combustível florestal.
A iniciativa, promovida pela Parques de Sintra – Monte da Lua, integra a estratégia de sustentabilidade, conservação da natureza e gestão resiliente da paisagem que a empresa tem vindo a desenvolver nos espaços naturais sob a sua responsabilidade. No caso do Parque da Pena, um dos mais emblemáticos espaços patrimoniais e paisagísticos do país, esta medida reforça uma abordagem de gestão mais natural, preventiva e ambientalmente responsável.
O projeto recorre à herbivoria dirigida, uma prática que utiliza animais herbívoros, de forma controlada e acompanhada, para apoiar a gestão do território. Neste contexto, as cabras alimentam-se de arbustos, rebentos e vegetação espontânea, incluindo espécies invasoras lenhosas que ameaçam o equilíbrio ecológico da mata ornamental do Parque da Pena. Esta ação permite reduzir a densidade vegetal, favorecer a regeneração de espécies autóctones e diminuir o risco de incêndio.
Ao contrário de métodos exclusivamente mecânicos ou químicos, a herbivoria dirigida apresenta vantagens ambientais relevantes. O processo reduz a mobilização do solo, evita a utilização de herbicidas, diminui a necessidade de maquinaria pesada e contribui para uma gestão mais contínua e equilibrada dos ecossistemas. Trata-se, por isso, de uma solução inspirada em práticas tradicionais, mas alinhada com os desafios atuais da gestão sustentável da paisagem.
Além da componente ambiental, a presença destes animais constitui também um elemento diferenciador na experiência de visita ao Parque da Pena. Os visitantes poderão observar, em determinados momentos, os animais em plena atividade, reforçando a ligação entre património, natureza e práticas tradicionais de gestão da paisagem. Esta presença contribuirá igualmente para sensibilizar o público para temas como biodiversidade, prevenção de incêndios, conservação de habitats e sustentabilidade.
O bem-estar dos animais será assegurado diariamente por tratadores especializados, responsáveis pela sua alimentação, acompanhamento sanitário e monitorização, garantindo que toda a operação decorre de forma segura, controlada e responsável.
João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, refere que, “esta é mais uma medida inserida na estratégia da Parques de Sintra para reforçar a sustentabilidade ambiental, a resiliência climática e a gestão ativa dos espaços naturais sob sua responsabilidade”. “A empresa pretende continuar a desenvolver este modelo, avaliando progressivamente o seu alargamento a outras áreas florestais e paisagísticas onde a herbivoria dirigida possa contribuir para uma gestão mais eficaz da vegetação”, destaca João Sousa Rego.
Combinando tradição, inovação e conservação ambiental, o projeto demonstra como soluções simples e ancestrais podem ter um papel relevante na resposta aos desafios contemporâneos da proteção do património natural e da preservação da Paisagem Cultural de Sintra, classificada como Património Mundial pela UNESCO.