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Parques de Sintra repõe cameleiras derrubadas pela depressão Martinho no Parque da Pena

19 jan. 2026

A Parques de Sintra concluiu os trabalhos de remoção das mais de 300 árvores de diversas espécies que foram derrubadas pela depressão Martinho no Parque da Pena e iniciou a fase de reposição de espécimes botânicos, simbolicamente assinalada com a plantação de dez exemplares de Camellia sasanqua na Feteira da Condessa d'Edla, uma das áreas mais afetadas pela tempestade ocorrida em março do ano passado.

 

Na Feteira da Condessa d'Edla, a intempérie destruiu dezenas de árvores centenárias, nomeadamente, dois exemplares de Sequoia sempervirens, duas Abies alba, uma Cedrus atlantica e duas Cryptomeria japonica. A queda destas árvores de grande porte levou à perda de dez exemplares de Camellia sasanqua pertencentes à coleção de camélias plantada no Parque da Pena na segunda metade do século XIX, que agora foram repostos.

 

As plantas danificadas pela passagem da depressão Martinho eram cópias de Camellia sasanqua 'Barão de Soutelinho' e Camellia sasanqua 'Baronesa de Soutelinho', duas cultivares portuguesas comuns do século XIX que também existem noutras áreas do Parque da Pena, distinguido pela International Camellia Society como Jardim de Camélias de Excelência (Camellia Garden of Excellence). Assim, nesta ação de reposição de espécimes botânicos, a Parques de Sintra optou por incrementar e diversificar a coleção desta espécie com recurso a um fornecedor especializado em camélias que recolhe e coleciona cultivares.

 

Foram adicionados à coleção de camélias do Parque da Pena um exemplar de cada cultivar de:

 

Camellia sasanqua 'Marie Kirk', também conhecida como 'Autumn Moon';

Camellia sasanqua 'Hinode-Gumo', que em japonês significa “nuvem do sol nascente";

Camellia sasanqua 'Hiryū';

Camellia sasanqua Shõwa-Nishiki (Saitama);

Camellia sasanqua 'Évangéline', cultivar francesa;

Camellia sasanqua 'Dazzler', originária do Japão e Ásia Oriental, frequentemente classificada como Camellia hiemalis (sinónimo botânico);

Camellia sasanqua 'Weroona', cultivar com origem na Austrália em 1963;

Camellia sasanqua 'Farrapinhos Mexicanos', cultivar da Galiza, Espanha.

Também foram acrescentados dois exemplares de:

Camellia sasanqua 'Gingetsu', cultivar de origem japonesa que significa “lua prateada”

 

Na noite de 19 para 20 de março, a passagem da depressão Martinho pela Serra de Sintra provocou a queda de cerca de 100 mil árvores, afetando 280 hectares do total dos cerca de mil hectares sob gestão da Parques de Sintra, que incluem o perímetro florestal na zona do Santuário da Peninha. Este fenómeno climático extremo e inédito na região foi particularmente destrutivo devido à combinação excecional de diversos fatores meteorológicos.

 

O impacto desta tempestade interrompeu o projeto de reflorestação do Parque da Pena, iniciado em 2014 com o objetivo de devolver ao Parque da Pena a ambiência que existia antes da destruição provocada pelos temporais de anos anteriores. O trabalho de recuperação e valorização da coleção botânica do maior arboreto de Portugal, que, no espaço de uma década, resultou na plantação de cerca de 7000 árvores, pode agora ser retomado. Seguindo os princípios e aspetos estéticos de referência na intervenção em parques e jardins românticos do século XIX, visa preservar este valioso património natural para as gerações vindouras.