
A Parques de Sintra adquiriu dois pares de bancos em cerâmica provenientes da coleção de D. Fernando II. As peças, cujo uso foi veiculado durante o Romantismo, vão enriquecer o acervo do Palácio Nacional da Pena.
Destinados essencialmente a jardins, terraços, ou a espaços que faziam a transição do interior para o exterior das habitações, estes bancos tornaram-se populares entre as classes mais abastadas, cabendo às manufaturas inglesas a difusão deste gosto, muito por via das exposições internacionais. Atraíram a atenção de colecionadores como D. Fernando II que, dada a diversidade de formas e modelos, reuniu diversos exemplares de diferentes centros de fabrico.
Um dos pares é representativo do interesse vitoriano pela temática dos “blackamoors” que esteve em voga na arte europeia desde o séc. XVII, sobretudo nos domínios da escultura e das artes decorativas, mostrando a atração pela imagem exótica dos servos oriundos do norte de África. Em faiança policromada, representam dois negros luxuosamente trajados e sentados sobre coxins, suportando cada um outro coxim com o auxílio de uma pele de leão.

Foram executados em 1870 na manufatura inglesa Minton que, criada em 1793, se renovou a partir de meados do século XIX com a direção artística do francês Léon Arnoux, dando origem a novas formas e cores vibrantes. Como revelam algumas fotografias antigas recentemente adquiridas pela Parques de Sintra, estes bancos figuram em lugar destacado no “boudoir” dos aposentos da condessa d’Edla do Palácio das Necessidades, em Lisboa. Após a morte de D. Fernando II permaneceram na posse da condessa que os levou para a sua nova residência, o Palácio de Santa Marta, sendo aí vendidos num leilão organizado após a sua morte, em 1929.
O segundo par de bancos, em faiança com vidrado branco, tem a representação de macacos sentados comendo frutos, e constitui um raro exemplo da produção portuguesa de cerâmica de meados do século XIX, revelando a influência dos modelos produzidos pela manufatura Minton.

O seu fabrico tem sido atribuído à Fábrica Roseira, criada por volta de 1840 em Lisboa por um emigrante oriundo da Boémia, e responsável pelo fornecimento dos azulejos de algumas fachadas e interiores do Palácio da Pena, não estando no entanto excluída a possibilidade de terem sido produzidos na Fábrica de Santo António de Vale da Piedade, em Vila Nova de Gaia.
Estes bancos faziam originalmente parte de um conjunto de seis, colocados por D. Fernando II num corredor do primeiro piso do Palácio das Necessidades, e foram vendidos no leilão dos seus bens em 1893. Um exemplar encontra-se atualmente na Casa Veva de Lima, em Lisboa, e os restantes dispersos por coleções particulares.
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