Na semana em que se celebra o Dia Internacional do Teatro, celebramos o mais cenográfico dos Palácios Nacionais do tão teatral século XIX, rodeado de um igualmente cenográfico Parque de luxuriante vegetação.
No topo da Serra de Sintra, por entre escarpados rochedos e densos nevoeiros, um príncipe germânico, casado com a rainha de Portugal D. Maria II, deu largas à fantasia típica da época e converteu o antigo convento manuelino de Nossa Senhora da Pena num castelo de fantasia à maneira medieval. D. Fernando II, originário da família dos duques de Saxe-Coburgo e Gotha, primo direito da rainha Vitória e do príncipe Alberto do Reino Unido, conseguiu no Palácio da Pena uma síntese entre o romantismo germânico de exaltação do passado medieval e a história do nosso país, do qual por casamento se tornara rei.
O Palácio da Pena encontra-se rodeado de estruturas acasteladas como a ponte levadiça, o túnel de acesso ao Palácio, um caminho de ronda de onde se disfruta uma paisagem deslumbrante e diversas torres de vigia ameadas. No Palácio propriamente dito, D. Fernando estabeleceu a ligação com o convento fundado por D. Manuel I no século XVI e criou uma residência privada com referência ao período dos Descobrimentos Portugueses. Na arquitetura introduziram-se arcos em ferradura, azulejos geométricos e abóbadas de muqarnas à maneira mourisca no Norte de África, mas também varandins e mirantes de sabor indiano. Ao mesmo tempo, o rei alemão criava na Pena o grande estilo revivalista nacional, o neomanuelino. Testemunho deste entusiasmo pela arte da época de D. Manuel I ficou a janela poente em imitação da célebre janela do Convento de Cristo.
Enquanto o antigo convento foi adaptado a aposentos privados da Família Real, na ampliação que se construiu a partir de 1843 ficaram as salas de aparato do Palácio da Pena, de que se destaca o Salão Nobre, recentemente restaurado. Os interiores do Palácio mostram a par das artes decorativas uma coleção de mobiliário romântico, porcelana europeia e oriental, pintura, vidros e vitrais, tudo em ambientes interiores que testemunham a vivência deste antigo Palácio Real.
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