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O Palácio é o grande monumento que cresce na vila e lhe acentua o carácter

Vítor Serrão, historiador da arte

Tudo em Sintra é divino Não há cantinho que não seja um poema

Eça de Queirós, Os Maias, 1888

Sintra é o mais belo adeus da Europa quando enfim encontra o mar

Vergílio Ferreira, Louvar Amar

Dou e outorgo, a vós, rainha Dona Isabel as minhas vilas de Sintra

Rei Dom Dinis, último quartel do século XIII

Duas chaminés acopladas dominam todo o edifício

Hans Christian Andersen, Uma visita a Portugal, 1866

Cavalos Ardennais

Cavalo de Raça Ardennais a executar trabalho de remoção de troncos no Parque da Pena.

Remoção de troncos no Parque da Pena, por um cavalo Ardennais. ©PSML

A Parques de Sintra-Monte da Lua reintroduziu técnicas tradicionais – ambientalmente sustentáveis – de exploração e manutenção das áreas florestais sob gestão utilizando cavalos de trabalho de raça Ardennais. Estes cavalos apoiam os trabalhos florestais (transporte de madeira, recolha de resíduos, limpeza de estradas e caminhos, etc) e permitem os passeios de charrete pelas paragens do Parque da Pena.

Os cavalos – o Kali, o Valseur e o Medhi – estão alojados nas cavalariças da Abegoaria da Quinta da Pena, onde também estão alojados quatro cavalos de sela e recreio (para turismo equestre).

Existem demonstrações dos trabalhos florestais, nas quais os tratadores apresentam a forma como trabalham na floresta com os cavalos Ardennais. Com comando através de ordens vocais (respondem pelo seu nome e a 10 tipos diferentes de sons) efetuam exercícios de precisão (empilhando os troncos com determinada ordem), exercícios de força (puxando grandes troncos) e exercícios de equilíbrio (um tronco por cima de outro), bem como percursos com os troncos entre as árvores (evitando obstáculos).

Os três cavalos Ardennais descansam no seu cercado, na Quinta da Pena.

Informações e reservas para assistir a demonstrações:

E-mail info@parquesdesintra.pt
Tel. (+351) 21 923 73 00

Documentário “Os Cavalos Ardennais na Parques de Sintra”
Vídeo sobre o projeto de introdução de cavalos Ardennais para apoio aos trabalhos florestais nas áreas sob gestão da Parques de Sintra. No vídeo é apresentada a História e origem destes cavalos, explicada a forma como trabalham na serra de Sintra, e destaca-se ainda a referência à sua força e agilidade, bem como ao facto de responderem ao tratador através de ordens vocais.
Todos os dias | Abegoaria da Quinta da Pena | 9h30 às 18h30

Vídeo de apresentação do projeto

Sobre o projeto Cavalos Ardennais

A Parques de Sintra iniciou, em 2010, um projeto de reintrodução de técnicas tradicionais e ambientalmente sustentáveis na exploração e manutenção de áreas florestais, que recupera um património sociocultural perdido tanto na Serra de Sintra, como no geral em Portugal.
A componente mais inovadora do projeto consiste na utilização de cavalos de raça Ardennais que, treinados para o trabalho florestal, respondem a comandos de voz monossilábicos e são encaminhados a uma só rédea. A escolha desta raça prendeu-se com os impactos que este trabalho tem num contexto de gestão sustentável das florestas. A mecanização florestal deve ser restringida sempre que a topografia do local é acidentada e o risco de erosão do solo é elevado, colocando em risco valores importantes para a preservação do património natural e cultural (nomeadamente as áreas classificadas como Rede Natura e Paisagem Cultural da Humanidade pela UNESCO, sob a salvaguarda da PSML), e o trabalho de tração animal permite reduzir substancialmente estes impactos.
As grandes vantagens da utilização de cavalos nestas áreas prendem-se, além do elevado interesse por parte dos visitantes, com a conservação do solo, o acesso a zonas acidentadas, a preservação da regeneração natural e das árvores existentes, a diversificação dos métodos de trabalho, a salvaguarda dos usos e do saber tradicionais, a ausência de poluição sonora e atmosférica, a independência de energias fósseis e a melhoria do rendimento de trabalho e complementaridade entre as máquinas e os animais. Como outrora, os cavalos podem também ser utilizados na atrelagem, em práticas agrícolas, na recolha de resíduos, na limpeza de estradas e caminhos e em atividades educativas e recreativas nos parques.
Neste sentido, a Parques de Sintra estabeleceu contactos com o Centro Europeu do Cavalo, nomeadamente com o seu diretor Pierre Arnoud (Centre Européen du Cheval, instituição do Governo belga vocacionada para manter viva esta prática florestal), com o qual contratou apoio logístico e consultoria ao projeto, bem como a aquisição de três cavalos e formação de técnicos portugueses. Os tratadores da Parques de Sintra receberam uma formação intensiva de 2 semanas na Bélgica e, posteriormente, mais duas semanas de formação em contexto de trabalho no Parque da Pena, com o formador é Marc Guillame (belga).
Com a concretização do projeto, a 21 de Abril de 2011 chegaram ao Parque da Pena três cavalos da raça Ardennais: o Kali, o Valseur e o Medhi. A opção por esta raça deveu-se ao facto deste tipo de cavalos ser muito popular para trabalhos na floresta, por serem relativamente pequenos, ágeis, muito fortes, e de temperamento muito dócil. Esta é uma das raças mais antigas e bem documentadas em toda a Europa.
Os cavalos adquiridos têm idades compreendidas entre os 5 e os 9 anos, idade que não é avançada, dado que só a partir dos 7 anos estes se encontram numa fase de amadurecimento para poderem trabalhar com eficácia na floresta. Até lá, passam por um processo de aprendizagem que se inicia aos 3 anos de idade. O período durante o qual trabalham é muito variável mas, se não tiverem problemas de saúde, poderá ser até aos 20 anos.
Este é um projeto piloto na Serra de Sintra que se espera possa induzir aplicações semelhantes noutras áreas do país.

DIREITOS DOS ANIMAIS
A PSML subscreve o código da FECTU (Féderation Européenne du Cheval de Trait pour la promotion de son Utilisation):

– Os animais são mantidos em condições e num ambiente livre de stress, adequado para a espécie, idade e sexo;
– Os animais têm acesso constante a alimentação de qualidade e água limpa;
– Qualquer trabalho que seja solicitado aos animais tem que estar dentro da sua capacidade, tanto em termos das suas capacidades físicas, como também da sua idade e formação;
– Animais jovens não serão sujeitos a trabalhar mais do que sua idade e desenvolvimento físico permitem;
– São apenas utilizados equipamentos em bom estado de conservação e manutenção, adequados para o animal utilizado e para o trabalho que é proposto realizar;
– São tomadas todas as medidas necessárias a uma boa condição de saúde animal, de modo a que sejam prevenidos acidentes e doenças. Em caso de necessidade médica, todos os tratamentos serão realizadas por um profissional qualificado;
– Cuidados com os cascos/ferraduras são regulares e de elevada qualidade;
– Na formação e no trabalho, os animais devem ser livres para mover-se naturalmente.

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