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O Palácio é o grande monumento que cresce na vila e lhe acentua o carácter

Vítor Serrão, historiador da arte

Tudo em Sintra é divino Não há cantinho que não seja um poema

Eça de Queirós, Os Maias, 1888

Sintra é o mais belo adeus da Europa quando enfim encontra o mar

Vergílio Ferreira, Louvar Amar

Dou e outorgo, a vós, rainha Dona Isabel as minhas vilas de Sintra

Rei Dom Dinis, último quartel do século XIII

Duas chaminés acopladas dominam todo o edifício

Hans Christian Andersen, Uma visita a Portugal, 1866

Menção Honrosa para a Parques de Sintra nos Prémios SOS Azulejo 2016

Fotografia das paredes em azulejo branco da cozinha do Palácio Nacional de Sintra

©PSML Wilson Pereira

A Parques de Sintra recebeu uma Menção Honrosa na categoria de “Intervenção de Conservação e Restauro” nos Prémios SOS Azulejo 2016, prémio que será entregue no dia 22 de maio, em cerimónia que decorrerá no Palácio da Fronteira, em Lisboa.

Este reconhecimento surge no seguimento das obras de recuperação dos revestimentos interiores da cozinha medieval do Palácio Nacional de Sintra, que tiveram lugar entre fevereiro e maio de 2016, e representaram um investimento de cerca de 35.000 euros.

A SOS Azulejo – projeto da responsabilidade do Museu da Polícia Judiciária – visa reconhecer o contributo para a valorização do património azulejar português, área que tem merecido um especial foco por parte da Parques de Sintra, tendo em conta a qualidade e relevância dos azulejos nos monumentos sob sua gestão, e que já havia merecido uma Menção Honrosa nos Prémios SOS Azulejo 2014.

Um dos principais objetivos da recuperação da cozinha real do Palácio foi minimizar as anomalias específicas do revestimento de azulejo do século XIX que cobre paredes, vãos, fogões e fornos, rebocos e outros elementos, num dos espaços mais emblemáticos do monumento, no qual se encontram as duas chaminés cónicas que marcam o perfil da vila de Sintra.

A intervenção permitiu garantir a estabilidade do revestimento azulejar, assim como a sua integridade física e aspeto visual, assegurando a boa conservação do espaço. Os trabalhos abrangeram também o tratamento de outros materiais (cerâmicos não vidrados, pedra, elementos metálicos e rebocos caiados) que se encontram em contacto direto com os azulejos e que podem influenciar o seu estado de conservação.

As decisões ao nível do restauro tiveram como premissa garantir a essência histórica de todo o espaço, limitando-se a substituição de elementos a casos pontuais de degradação extrema, por forma a evitar a perda de outros elementos originais.

Contextualização histórica
A cozinha, que se ergue do lado nascente do Palácio Nacional de Sintra, foi edificada no âmbito das grandes transformações e alargamentos do Palácio que datam do período de reinado de D. João I (1385-1433), realizadas no primeiro quartel do século XV, e atribuídas ao mestre de pedraria João Garcia de Toledo.

Célebre pelas suas duplas chaminés monumentais, de 33 metros de altura cada, foi dimensionada para grandes banquetes de caça. No interior, destacam-se as diversas fornalhas e dois grandes fornos, para além de uma estufa e um trem de cozinha em cobre estanhado, constituído por marmitas, peixeiras, panelas, tachos, caçarolas e frigideiras.

O revestimento das paredes em azulejo branco (finais do século XIX), que cobre praticamente todas as superfícies da cozinha até aproximadamente 4,30 metros de altura, será contemporâneo da composição com as armas reais de Portugal e de Saboia ali colocada nos finais do séc. XIX, pertencente à rainha Dona Maria Pia, a última soberana a habitar o Palácio.

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