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O Palácio é o grande monumento que cresce na vila e lhe acentua o carácter

Vítor Serrão, historiador da arte

Tudo em Sintra é divino Não há cantinho que não seja um poema

Eça de Queirós, Os Maias, 1888

Sintra é o mais belo adeus da Europa quando enfim encontra o mar

Vergílio Ferreira, Louvar Amar

Dou e outorgo, a vós, rainha Dona Isabel as minhas vilas de Sintra

Rei Dom Dinis, último quartel do século XIII

Duas chaminés acopladas dominam todo o edifício

Hans Christian Andersen, Uma visita a Portugal, 1866

Principais espaços

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Infografia com planta esquemática tridimensional do Palácio de Monserrate.

Infografia com planta esquemática do Palácio de Monserrate.
Anyforms, Design de Comunicação

O Palácio de Monserrate tem um corpo central e duas alas laterais, simétricas, unidas através de átrios e de uma galeria central para a qual abrem as várias salas do edifício. No exterior, antes de aceder ao terraço sobre o relvado, o visitante é recebido pela Fonte do Tritão, tendo como pano de fundo a fachada do torreão sul.

Átrio sul
Espaço octogonal com arcos góticos e colunas de mármore rosa. É uma das entradas do palácio, com ligação direta ao piso inferior onde se situa a cozinha. A colunata esconde um nível de áreas de apoio (bengaleiro e a copa da sala de jantar). Dá também acesso a dois pisos superiores onde se situavam os aposentos de Sir Francis Cook. O teto, em estuque trabalhado com motivos vegetalistas, abatera, mas os pedaços recolhidos permitiram produzir moldes e refazê-lo. O gesso decorativo do teto simula uma área coberta sob folhagem de carvalho e seria, originalmente, policromada. No passado destacavam-se duas pequenas peças de artilharia de bronze. Ao redor do espaço, viam-se cadeiras antigas de nogueira com fundos e costas de couro lavrado.

ÁTRIO CENTRAL (ENTRADA)

No terraço ocidental do palácio encontra-se a porta de acesso ao átrio central (ponto inicial da visita aos espaços interiores), cujo pórtico sobressai pelo rendilhado e motivos decorativos das arcarias, bem como pela vista privilegiada e sobranceira ao relvado e jardins históricos.

Átrio principal
Átrio octogonal localizado no centro do palácio. Destacam-se a fonte de alabastro, a estátua e a cúpula, de grande efeito cenográfico. No vestíbulo procedeu-se à montagem de um sistema de iluminação para realce dos elementos arquitetónicos e decorativos, nomeadamente os painéis indianos de alabastro, junto à entrada poente (utilizados como biombos) e no varandim (balaustrada do primeiro piso da torre central).

Escadaria
No átrio da escadaria do torreão central destacam-se os quatro painéis de alabastro vindos da Índia e a magnífica estrutura de pedra (degraus e guarda) decorada com um padrão de folhas de hera, cujo desenvolvimento acompanha o perímetro das paredes, conferindo ao espaço um caráter monumental, em que os motivos vegetalistas executados em gesso preenchem a totalidade das paredes e teto.
A antiga escadaria principal estava decorada por tapeçarias de grandes dimensões e por altos-relevos renascença emoldurados. Havia ainda um medalhão em majólica (cerâmica vidrada), tido como de Luca della Robbia. Junto do caracol que formava o desenrolar do corrimão, encontrava-se uma estátua de mármore de Carrara de grandes dimensões, representando uma figura feminina sentada. Em frente via-se uma estátua de mármore, antiga, representando Neptuno e náufragos. Na consola encontrava-se um busto em bronze de Sir Francis Cook. O busto sobre coluna é uma das poucas peças que restou da coleção de escultura e o pote chinês (martaban) é uma das peças decorativas que fazia parte da coleção de cerâmica oriental.

Galeria central
A galeria é o corredor de ligação entre as diversas salas e torres do palácio, integralmente revestida por padrão mourisco em estuque relevado. A sucessão de arcos marca o ritmo das colunas e potencia o efeito da perspetiva e da luz zenital. Ao centro, a marcar o átrio principal, foi colocada uma fonte renascença, mencionada anteriormente.
A antiga galeria encontrava-se decorada com réplicas em gesso de esculturas clássicas e peças autênticas por entre floreiras revestidas com azulejos hispano-árabes, transpondo para o interior do palácio o verde luxuriante dos jardins.

Sala de Estar Indiana
Também designada por Sala de Desenho, tem uma decoração de estuques idêntica à sala de bilhar. Especial destaque para o florão central do teto, para os dois potes (de fabrico português) da coleção de cerâmica de Sir Francis Cook e, já no exterior, para a grande árvore (um metrosídero) que cresceu no topo do relvado.
Este espaço possuía mobiliário de diversos estilos e origens. Sobressaíam os dois sofás de madeira da Índia e os dois armários-vitrinas. Nas paredes, viam-se panos de caxemira da Índia, tecidos com seda e um grande espelho com moldura de cristal de Veneza. Muitas porcelanas orientais encontravam-se nesta sala, com relevo para duas grandes talhas da China.

Sala de Música
Esta sala nobre ocupa a torre norte do edifício. Preexistência do palácio neogótico de Gerard de Visme, apresenta planta circular, cujas janelas permitem apreciar a vista que se estende desde a serra até ao mar. Sobressai a harmonia de proporções entre a planta e a cúpula, decorada em estuque com motivos florais dourados. O friso é animado com representações de musas e graças.
As condições acústicas excecionais deste espaço são exploradas nos diversos recitais e concertos que aqui têm lugar. O piano, da marca Steinway, foi cedido por Emma Gilbert, fundadora da Associação dos Amigos de Monserrate.
A antiga Sala de Música estava decorada por ricas peças de mobiliário de madeira da Índia. Várias esculturas em mármore, ao gosto clássico, combinavam com peças orientais. Um piano de cauda e seu banco compunham o espaço, iluminado por um grande lustre veneziano em cristal. A cobrir o soalho, entre os vários tapetes orientais, destacava-se um persa antigo com mais de quatro metros de comprimento.

Sala de Bilhar
O palácio tinha uma sala dedicada em exclusivo ao jogo de bilhar inglês. Esta sala apresenta a mesma composição decorativa da Sala Indiana, em que os relevos de estuque são pontuados por elementos originais dourados nas paredes e teto. No pavimento, é possível observar as marcas dos pés da mesa de bilhar que lhe deu nome. Os dois espelhos, de grandes dimensões, não só parecem prolongar o espaço como lhe atribuem também a designação de Sala dos Espelhos.
A antiga Sala de Bilhar integrava uma mesa feita na casa Magnus de Londres e uma cadeira veneziana de braços, em madeira de ébano, guarnecida de tartaruga, marfim, madrepérola e bronze, entre outros elementos notáveis como pratos de porcelana oriental e pequenos quadros.

PASSAGEM PELO ÁTRIO CENTRAL

Biblioteca
A biblioteca tinha como peça central de mobiliário uma grande secretária de madeira de raiz de nogueira. Por cima da lareira, encontrava-se uma panóplia (escudo falso, espingardas, espadas, punhais, alabardas, estribos) e, suspenso do teto, um lustre de dezoito lumes que iluminava o espaço, repleto de objetos de valor artístico. O lustre atual (tipo holandês, do século XVIII) é semelhante ao que fotografias antigas mostram ter existido.
Os retratos sobre a lareira são de Frederick Cook e sua mulher, segundos viscondes de Monserrate e beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de Sintra.
Sobressai a porta em madeira de nogueira espanhola, finamente talhada no século XVIII. Trata-se da porta original e, anteriormente, tinha a face decorada voltada para o interior da sala. A biblioteca é o único espaço do piso térreo dotado de porta.

Sala de Jantar
As paredes da sala apresentam atualmente uma versão da composição decorativa original. A utilização da cor, do relevo e uma pintura executada sob a técnica de stencil conferem-lhe o esplendor perdido por várias camadas de tintas aplicadas ao longo do tempo, em um só tom. Esta pintura decorativa tem como base o motivo decorativo do corredor, mas numa versão estilizada.

A antiga Sala de Jantar tinha as paredes decoradas com quadros de grandes dimensões de temática religiosa das escolas italiana, espanhola e portuguesa, entre os séculos XVI a XVIII. Ricos tapetes orientais adornavam o chão, e muitas peças de porcelana e de prata ornamentavam o aparador e compunham a grande mesa disposta ao centro da sala.

Cozinha
Situada no piso inferior do palácio, beneficia de janelas e ligação direta para o exterior. Uma colunata esconde áreas de apoio como a copa, espaço anexo à cozinha que servia de apoio à sala de jantar.
Inicialmente com acesso a partir do meio da escadaria, a cozinha terá sido posteriormente remodelada, colocando o fogão na sua posição atual. O fogão, que uma chapa assinala ter sido fornecido pela Serralharia Lisbonense, constitui um exemplo raro, dado que não tem a chaminé superior. O fumo é conduzido no interior do fogão e depois por uma conduta sob o pavimento, ligada a uma das chaminés do palácio.
Uma série de compartimentos (garrafeira, despensas, armários embutidos e compartimento de frio) apoiavam o seu funcionamento, sendo que o conjunto atual de panelas e medidas, de cobre, foi adquirido em Inglaterra com vista a devolver ao espaço parte do seu colorido original.

REGRESSO AO ÁTRIO CENTRAL

Capela
Este espaço, dominado pela imagem em mármore branco de Santo António, era o lugar de oração e evocação do santo português. Aos pés da estátua via-se uma cadeira de oração de madeira de nogueira. Sobre o nicho onde se encontrava a imagem estavam duas tábuas pintadas a óleo, representando quatro anjos com os símbolos do martírio de Cristo. Entre as várias obras de arte que compunham a divisão, destacavam-se uma cruz de prata e um retábulo de alabastro do século XVI. Esta última peça encontra-se hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.

Piso superior
Nesta área encontravam-se os espaços mais íntimos do palácio: os quartos (corpo central) e os aposentos privados de Sir Francis Cook (torreão sul). Atualmente, estes espaços destinam-se a exposições temporárias de fotografia de paisagens, natureza e jardins (quartos) e à realização de conferências e atividades (aposentos).

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