As infra-estruturas e os principais espaços interiores do Palácio de Monserrate foram alvo de um projecto de reabilitação no âmbito dos trabalhos de recuperação do monumento que têm vindo a ser desenvolvidos, desde 2007, ao abrigo da candidatura aos fundos do EEA-Grants (Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu).
Construído no terceiro quartel do século XIX, por iniciativa de Francis Cook, visconde de Monserrate, sobre a ruína de um edifício anterior do século XVIII, o Palácio de Monserrate possuía um complexo sistema de redes de águas, esgotos, electricidade e aquecimento central, hoje obsoleto. A distribuição original destas redes pelo edifício foi feita através das galerias de ventilação existentes sob os pavimentos do piso térreo, cujo eixo principal é a actualmente designada galeria técnica (localizada sob o corredor longitudinal).
O projecto de recuperação agora concluído implicou a instalação de novas redes para todas as especialidades e a remoção das tubagens existentes. Para tal, foi necessário proceder à reabilitação da galeria técnica, que apresentava um pé direito médio de 70cm, não compatível com as exigências de funcionalidade actuais.
A intervenção efectuada permitiu aumentar o pé direito da galeria para cerca de 1.80m, criando não só condições físicas de trabalho adequadas, mas também um eixo longitudinal para a instalação de toda a cablagem de energia e comunicações e de toda a tubagem de águas (abastecimento, residuais, combate a incêndios e aquecimento central).
De salientar também a instalação de um sistema de detecção e combate a incêndios. No interior do Palácio, foram colocados detectores em todos os compartimentos. No que diz respeito a acções de combate, tendo em conta que os revestimentos são maioritariamente em gesso, facilmente danificáveis pela água, optou-se por recorrer a medidas de contenção de fumos e de primeira intervenção com base em extintores de pó químico e CO2.
No exterior, foi implantada uma rede de hidratantes, alimentada pela cisterna pré-existente, com a respectiva central de bombagem instalada na casa da caldeira. Dado que o principal risco de incêndio vem da floresta, foi instalado, como medida complementar, um sistema de rega das coberturas e vegetação envolvente, que é accionado em caso de alarme.
Na base dos trabalhos desenvolvidos estiveram os princípios de sustentabilidade praticados na PS-ML, em que os recursos existentes como a água (com os sistemas de captação por minas e depósitos existentes) e a biomassa (resultante de limpezas florestais) são utilizados no consumo dos diversos equipamentos.
Destaca-se neste âmbito a separação das redes de abastecimento de águas, com água de minas para autoclismos e água da rede pública para os restantes equipamentos. Nas águas residuais, as de origem pluvial foram encaminhadas para as linhas de água e as de origem doméstica para a fito-etar do parque.
Manteve-se a biomassa como combustível do sistema de aquecimento central, com a instalação de uma nova caldeira a lenha, semelhante a outras já entretanto utilizadas no parque. Os irradiadores do sistema de aquecimento foram removidos para tratamento e recolocados nos seus locais de origem para posterior ligação definitiva à nova tubagem de alimentação de água quente.
Em matéria de energia eléctrica, não sendo possível, por enquanto, a instalação de dispositivos de produção, foi privilegiado o uso de equipamentos de maior eficiência energética. Desta forma, a iluminação baseou-se na tecnologia LED.
No âmbito do projecto de reabilitação das infra-estruturas procederam-se ainda a trabalhos de menores dimensão. Em matéria de instalações sanitárias, foram recuperadas as casas de banho existentes no Torreão Sul e sob o terraço. No quarto do corpo central introduziram-se novas casas de banho para utilização dos visitantes, tendo sido contemplada a utilização por pessoas com mobilidade condicionada.
No Torreão Sul recuperaram-se os pisos superiores, que passarão a funcionar como espaços para conferências.
No piso técnico, uma antiga área de arrumos, despensas e garrafeira, foi também recuperado de forma a poder alojar funções de apoio a eventos no Palácio.
Em paralelo com os trabalhos de reabilitação das infra-estruturas decorreram diversas intervenções da área da conservação e restauro. Espaços como a biblioteca, a capela, o corredor longitudinal, o átrio Sul, a cozinha e o terraço foram objecto de recuperação – alguns deles integralmente – com desenvolvimento de trabalhos nas áreas específicas de estuques, pintura mural, cantarias, metais e azulejaria.
Na cozinha, foi feita a intervenção de conservação e restauro do fogão (de invulgar escala e qualidade) que, sem utilização desde os anos 40, se apresentava muito degradado.
Todas estas intervenções decorreram à vista do público, tendo constituído um factor de valorização da visita, tanto ao nível da importância da recuperação do património cultural (acompanhamento dos trabalhos e suas condicionantes específicas, estimular o interesse, estudo, divulgação e vocações), como do conjunto de meios humanos, técnicos e financiamentos envolvidos.
O custo total desta fase do projecto foi de 1.150.000 euros, dos quais 650.000 euros foram comparticipados pelo EEA-Grants, com o restante suportado pela PS-ML.
Para saber mais sobre as diversas intervenções consulte a página de Projecto.
Notícias
17-06-2010 - Parques de Sintra Inaugura Obras de Recuperação do Palácio de Monserrate

